~ a janela que vem de dentro

Já nem sei se era junho

(ou um mês de sol qualquer)

quando me camuflava nas nuvens

das palavras amargas de quem quer

moldar-se à falaciosa trajetória

de ensaiar as despedidas repentinas

nos intervalos de um amor qualquer.

E agora, já não sei se escrevo porque a vontade agiganta,

ou porque reside o desejo de ter alguém que queira ler.

Nem sei se abro a janela que vem de dentro,

se seria interessante, ver a chuva correr

a maratona infindável das inseguranças

e dos medos que se desintegram em círculos tímidos no vidro da janela;

se valia realmente a pena pintar o meu nome rebeldemente no teu coração, na tua tela.

Sei que até podia ser maio,

esse mês de desencantos florescidos em que

humildemente me vi dançando no outono acastanhado, e secreto, em que vives.

E eu timidamente falava da lua e dos prazeres revogáveis do universo,

abraçava um momento que não me pertencia e acendia cigarros com uma luz que não era minha.

Então e falar de agora, que setembro está a morrer e eu vejo-me tão diferente do que parecia.

Segredei às paredes a felicidade que tive

nas noites de agosto em que a sorte me acolhia.

E por falar em agora, apaga o teu cigarro no meu e vem dormir

que a noite há muito que quer ser dia.

Deita-te porque somos um só, deita-te comigo para toda a vida.

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