~ quando escrevo

Quando escrevo não peço licença.

Não há hora certa para ser

nem tempo adequado para viver.

Sou intransigente às paragens que me preenchem a monotonia de intervalos

e não preciso de me despir para ser.

Deambulo e afugento os momentos mortos;

conto os segundos que não são meus,

e todas as palavras que fiz minhas carrego-as às costas, com um medo estranho de perder;

de ter de me despir para, talvez, te parecer.

No jardim dos meus devaneios,

nunca faria sentido pedir licença.

Não faz jus à criança escondida a cantar

mágoas estranhas, vividas noutras vidas.

Sou reticente quanto ao tempo que me faz,

quanto à mulher que posso vir a ser,

com uma mão cheia de sonhos eventualmente

criados, numa vida de menina, para morrer.

Por isso, com licença, eu não vou pedir licença

Que ninguém aqui sangra o mesmo sangue que eu. E ninguém se serve sedento destas palavras, que são só o que eu quiser que seja meu.

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